06.07.2005

ANO 05

Nº 26

EMPRESA-CIDADÃ

Paulo-Márcio de Mello*


As microempresas foram responsáveis pelo aumento recente no envolvimento social de empresas nas regiões Nordeste e Sudeste.

¨ Estas empresas, com 1 a 10 empregados, que representam cerca de metade do contingente empresarial, apresentaram aumento de 15%, nas ações sociais no Sudeste, e de 29%, no Nordeste, entre 1999 e 2003. Este é um dos aspectos mais interessantes dos resultados da pesquisa Ação Social das Empresas, que o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está realizando, pela segunda vez, no Sudeste e Nordeste.

¨ De um modo geral, a participação das empresas na área social passou de 55%, em 1999, para 74%, em 2003, no Nordeste. No Sudeste, passou de 67% para 71%, no mesmo período. Na região Sudeste, onde estão concentrados cerca de 83% dos investimentos sociais empresariais, no entanto, em percentual do PIB regional, os dispêndios que, em 1999, representaram 0,61%, em 2003, caíram para o equivalente a 0,35%.

¨ Em relação às grandes empresas (500 empregados ou mais), entre 1999 e 2003, a expansão do envolvimento em ações sociais cresceu de 63% para 94%, no Nordeste, alcançando uma ordem de grandeza similar ao do Sudeste, de 96%.

¨ Por setor de empresa, no Nordeste, o maior crescimento foi o da construção civil, de 142%. No Sudeste, a agricultura foi a que mais aumentou sua contribuição, com um incremento de 95%. Indústria e comércio mantiveram participações estáveis, entre 1999 e 2003.

¨ Nas duas regiões, a pesquisa realizada pelo Ipea indicou ser muito pequeno o percentual de empresários que não realiza atividade social para comunidades porque nunca pensou nessa possibilidade, por avaliar que este não seja seu papel ou por não saber como fazê-lo. Os principais motivos invocados pelos empresários para não se envolverem em ações sociais foram a falta de dinheiro (53% no Sudeste e 62% no Nordeste), sendo que há os que lamentam a ausência de incentivos governamentais (16% no Sudeste e 10% no Nordeste).

¨ A primeira edição da pesquisa, marco no conhecimento sistemático da participação do setor empresarial brasileiro em atividades sociais, foi iniciada em 1999 e concluída em 2002, tendo sido divulgados resultados para as cinco regiões brasileiras. Os resultados da segunda edição foram apresentados nesta semana pela coordenadora geral, Anna Maria Peliano. A segunda edição tem por objetivos atualizar e aprofundar o conhecimento sobre as atividades ou doações que as empresas das regiões Sudeste e Nordeste realizaram em 2003.

Balanço Social - Santista Têxtil (Final)

Concluímos nesta semana a análise do balanço social da Santista Têxtil. Ainda que não reproduza completamente a estrutura de dados do modelo Ibase de balanço social, o balanço social da empresa apresenta os valores despendidos nos indicadores sociais internos, externos e ambientais, além de alguns indicadores do corpo funcional.

Em 2004, os indicadores sociais internos (ISI), expressão dos benefícios oferecidos aos empregados e colaboradores, totalizaram R$56,2 milhões, representando um incremento nominal de 3,3%, em relação a 2003. O peso maior foi de encargos sociais compulsórios, com 53,5% do total dos ISI, seguidos por participação nos lucros ou resultados, com 13,7%, alimentação, com 9,1%, saúde, com 7,9%, outros, com 5,3%, segurança e medicina no trabalho, com 4,1%, previdência privada, com 2,9%, e capacitação e desenvolvimento profissional, com 2,5%. Cada um dos demais benefícios relacionados (educação, cultura e creche) não chega a percentual significativo.

Em 2004, os indicadores sociais externos (ISE) totalizaram R$963 mil, representando um crescimento nominal de 104%, em relação ao ano precedente. Cultura foi a modalidade mais expressiva, alcançando pouco mais da metade do total dos ISE. Seguem outros, com 20,7%, educação, com 19,1%, e esporte e lazer, com 6,8%. Os demais investimentos na cidadania relacionados (saúde e saneamento, creches e alimentação) não alcançam percentuais significativos. Quando se acrescentam os tributos aos ISE, o total alcança R$236,2 milhões, representando uma expansão nominal de 49,1% em relação a 2003.

Os indicadores ambientais chegaram a R$8,6 milhões, dos quais cerca de 99% relacionados às operações da empresa. Do total, cerca de um quarto foi derivado dos investimentos realizados na Cia. Jauense Industrial, adquirida em 2004.

O número de empregados cresceu de 4.953, em 2003, para 5.494, em 2004. O percentual dos que estão acima dos 45 anos passou de 18,9% para 21,3% da força de trabalho, enquanto o percentual de mulheres variou de 11,5% para 12,6%.

 

*Paulo-Márcio de Mello
*Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Endereço Eletrônico: paulomm@alternex.com.br
EMPRESA-CIDADÃ
É uma coluna publicada toda quarta-feira no jornal Monitor Mercantil. www.monitormercantil.com.br
Através dela, são discutidos conceitos relativos à responsabilidade corporativa, apresentados casos de sucesso de empreendedores e empresas-cidadãs e uma agenda de eventos sobre o assunto.

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