As microempresas foram responsáveis pelo aumento
recente no envolvimento social de empresas nas regiões
Nordeste e Sudeste.
¨ Estas empresas,
com 1 a 10 empregados, que representam cerca de metade do
contingente empresarial, apresentaram aumento de 15%, nas
ações sociais no Sudeste, e de 29%, no Nordeste, entre 1999
e 2003. Este é um dos aspectos mais interessantes dos
resultados da pesquisa Ação Social das Empresas, que o
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) está
realizando, pela segunda vez, no Sudeste e
Nordeste.
¨ De um modo
geral, a participação das empresas na área social passou de
55%, em 1999, para 74%, em 2003, no Nordeste. No Sudeste,
passou de 67% para 71%, no mesmo período. Na região Sudeste,
onde estão concentrados cerca de 83% dos investimentos
sociais empresariais, no entanto, em percentual do PIB
regional, os dispêndios que, em 1999, representaram 0,61%,
em 2003, caíram para o equivalente a 0,35%.
¨
Em relação às grandes empresas (500 empregados ou
mais), entre 1999 e 2003, a expansão do envolvimento em
ações sociais cresceu de 63% para 94%, no Nordeste,
alcançando uma ordem de grandeza similar ao do Sudeste, de
96%.
¨ Por setor de
empresa, no Nordeste, o maior crescimento foi o da
construção civil, de 142%. No Sudeste, a agricultura foi a
que mais aumentou sua contribuição, com um incremento de
95%. Indústria e comércio mantiveram participações estáveis,
entre 1999 e 2003.
¨ Nas duas
regiões, a pesquisa realizada pelo Ipea indicou ser muito
pequeno o percentual de empresários que não realiza
atividade social para comunidades porque nunca pensou nessa
possibilidade, por avaliar que este não seja seu papel ou
por não saber como fazê-lo. Os principais motivos invocados
pelos empresários para não se envolverem em ações sociais
foram a falta de dinheiro (53% no Sudeste e 62% no
Nordeste), sendo que há os que lamentam a ausência de
incentivos governamentais (16% no Sudeste e 10% no
Nordeste).
¨ A primeira
edição da pesquisa, marco no conhecimento sistemático da
participação do setor empresarial brasileiro em atividades
sociais, foi iniciada em 1999 e concluída em 2002, tendo
sido divulgados resultados para as cinco regiões
brasileiras. Os resultados da segunda edição foram
apresentados nesta semana pela coordenadora geral, Anna
Maria Peliano. A segunda edição tem por objetivos atualizar
e aprofundar o conhecimento sobre as atividades ou doações
que as empresas das regiões Sudeste e Nordeste realizaram em
2003.
Balanço Social - Santista Têxtil
(Final)
Concluímos nesta semana a análise do balanço social
da Santista Têxtil. Ainda que não reproduza completamente a
estrutura de dados do modelo Ibase de balanço social, o
balanço social da empresa apresenta os valores despendidos
nos indicadores sociais internos, externos e ambientais,
além de alguns indicadores do corpo funcional.
Em
2004, os indicadores sociais internos (ISI), expressão dos
benefícios oferecidos aos empregados e colaboradores,
totalizaram R$56,2 milhões, representando um incremento
nominal de 3,3%, em relação a 2003. O peso maior foi de
encargos sociais compulsórios, com 53,5% do total dos ISI,
seguidos por participação nos lucros ou resultados, com
13,7%, alimentação, com 9,1%, saúde, com 7,9%, outros, com
5,3%, segurança e medicina no trabalho, com 4,1%,
previdência privada, com 2,9%, e capacitação e
desenvolvimento profissional, com 2,5%. Cada um dos demais
benefícios relacionados (educação, cultura e creche) não
chega a percentual significativo.
Em
2004, os indicadores sociais externos (ISE) totalizaram
R$963 mil, representando um crescimento nominal de 104%, em
relação ao ano precedente. Cultura foi a modalidade mais
expressiva, alcançando pouco mais da metade do total dos
ISE. Seguem outros, com 20,7%, educação, com 19,1%, e
esporte e lazer, com 6,8%. Os demais investimentos na
cidadania relacionados (saúde e saneamento, creches e
alimentação) não alcançam percentuais significativos. Quando
se acrescentam os tributos aos ISE, o total alcança R$236,2
milhões, representando uma expansão nominal de 49,1% em
relação a 2003.
Os
indicadores ambientais chegaram a R$8,6 milhões, dos quais
cerca de 99% relacionados às operações da empresa. Do total,
cerca de um quarto foi derivado dos investimentos realizados
na Cia. Jauense Industrial, adquirida em 2004.
O
número de empregados cresceu de 4.953, em 2003, para 5.494,
em 2004. O percentual dos que estão acima dos 45 anos passou
de 18,9% para 21,3% da força de trabalho, enquanto o
percentual de mulheres variou de 11,5% para
12,6%.